TESTE DE PROGÊNIE NACIONAL COM TOUROS GIR PO EM VACAS PO.
O avanço proporcionado pela Girgoiás com o Teste de Progênie de touros com linhagens alternativas, é de uma importância sem igual para o melhoramento genético da raça Gir, mas como ela já tem o seu regulamento e critério de seleção dos touros, acredito que a Assogir por ser uma Associação Nacional poderia encampar a idéia e formatar um projeto junto à ABCZ e ao MAPA.
A grande dificuldade de se fazer o teste de progênie de um touro, é sem dúvida alguma, o de se obter planteis que participem do teste com suas matrizes, e dar continuidade na recria, e no controle leiteiro das futuras lactações das vacas.
Se os planteis participantes, oferecer vacas Holandesas puras, ou em ordem decrescente, oferecer animais 7/8, 3/4, 5/8 ou 1/2 sangue, a possibilidade de o touro ter filhas produtivas é muito grande, afinal, as mães são produtivas e colaboram com 50% na genética de suas filhas. Aí fica uma pergunta: foi o touro que transmitiu leite às suas filhas ou as mães que são produtivas? Se introduzisse o mesmo material genético em animais da mesma raça, o índice de produtividade seria igual? Podemos afirmar com toda a segurança que o PTA alcançado pelo touro será igual para todas as matrizes em matéria de produtividade de leite?
È por esta e por outras razões, que entendo que o verdadeiro Teste de Progênie para melhoramento genético do Gir leiteiro, tem que ser feito com Touros Gir PO em matrizes também PO, e aí sim, obtermos o resultado da aprovação ou não do touro. Uma vez provado para leite em animais da mesma raça, ninguém tem dúvidas que este touro serviria para se fazer cruzamento com qualquer outra raça de sangue taurino.
Ao longo dos anos, todo criador soube identificar em seus planteis, qual o touro que transmitiu às suas filhas aptidão leiteira, quais os que transmitiram maior caracterização racial, o que introduziu tamanho ou não, enfim, todo criador sabe do potencial de seus touros, do seu temperamento e dos seus defeitos.
Entendo que o criador que tiver um reprodutor vivo em seu plantel, e que comprovadamente transmite às suas filhas aptidão leiteira e que tenham Controle Leiteiro Oficial pela ABCZ, estaria apto a inscrever o animal para Teste de Progênie, desde que se submetesse às seguintes condições:
1 ) Ser avaliado por uma comissão tríplice de jurados da ABCZ quanto às características raciais definidas pelo Regulamento, não se permitindo animais com defeitos que descaracteriza a raça.
2 ) Ser submetido a todos os exames de sanidade, capacidade reprodutiva e fertilidade, bem como apresentar uma morfologia harmônica.
3 ) Ser homologado pelo MAPA.
4 ) Ter filhas em lactação no plantel de origem de no mínimo 10 animais e com controle leiteiro oficial pela ABCZ.
5 ) Submeter as filhas com controle leiteiro aos exames de DNA e tipagem sanguínea.
6 ) Ser portador do Atestado de Reprodutor Provado com Certificado a ser fornecido pela ABCZ.
7 ) Ter sêmen disponibilizado em Centrais somente após apos todos os procedimentos técnicos, sanitários e comerciais necessários à comercialização de Sêmen do Touro.
Não quero ditar normas, polemizar com outros segmentos envolvidos, enfim, penso que se o que deseja é o melhoramento genético de uma raça, qualquer experimento que se deseja fazer tem que ser com animais da mesma espécie e de contemporâneos, mesmo porque, com animais híbridos o resultado fica completamente distorcido e prejudicado.
Fica a sugestão à Assogir, que com o apoio e supervisão da ABCZ/Embrapa na parceira, apresentar este projeto ao MAPA, no sentido de se obter apoio institucional e tornar oficial o Teste de Progênie com animais única e exclusivamente PO, e que se enquadrassem nas exigências do Teste a serem formuladas.
O critério de seleção dos touros poderia ser estendido aos touros em Testes de Progênie da ABCGIl, da Girgoiás, bem como os de outros programas de melhoramento genético em andamento, desde que aprovados pelos técnicos da ABCZ para fazer parte do programa.
Quando o criador e selecionador escolhe um reprodutor para trabalhar em seu plantel, é porque ele estudou a genética do touro e o seu potencial dentro daquilo que deseja, portanto, a base para a introdução de um touro para teste deve ser as próprias filhas já em controle leiteiro.
De que adianta o proprietário colocar um garrote de 18 meses numa Central sem ter nenhuma filha no próprio plantel, e querer que outros criadores utilizem material genético para testar o seu animal? Só porque é filho de pai e mãe famosos? E quando uma Central adquire em leilão um embrião sexado de macho? Um verdadeiro Mercado Futuro de possíveis reprodutores visando uma reserva de mercado. É comum, vermos nos catálogos das Centrais de 8 a 10 touros filhos de uma mesma vaca. Isto não é melhoramento genético, é continuidade genética e a certeza de uma consangüinidade sem precedentes.
Nenhuma outra raça faz melhoramento genético utilizando o cruzamento como base, e sim, o melhoramento da raça em si em primeiro lugar, para depois propiciar ao mercado livre acasalamento com as demais raças.
Como a raça Gir é a que proporciona maior possibilidade de cruzamento com outras raças, principalmente as de sangue taurino, penso que qualquer melhoramento genético que se queira fazer, primeiro tem que ser com a própria raça, e depois a sua tão conhecida Múltipla Aptidão.
O grande objetivo deste programa, seria o de selecionar touros e matrizes com caracterização e pureza racial incontestáveis, garantindo assim, o melhoramento genético e o futuro da raça para as futuras gerações de criadores.
Euclides Osvaldo Marques
Estância do Gir
São José do Rio Preto-SP



















